Aqui onde a vida dobra a esquina, a gente se fala... e se refugia do desinteressante...
Porque tudo é uma questão de opção. Assim podemos ser cidadãos do mundo, carregando sóis gelados e luas coloridas. Podemos ter olhos para o bem estar alheio e estocar imensos pacotes de riso fresco. Não se iludir... mas fantasiar. Ser um sim dos momentos vagos, um enorme talvez das possibilidades. Enxergar tudo que gostamos e "passar batido" pelo que não apreciamos. Ser de empréstimo, de "por acaso", eternos olás de distribuição gratuíta ou pequenos adeuses restritos... Ser um moinho de vento. Até quem sabe, e por que não, o último biscoito do pacote?

9 de jan de 2011

ATALHOS (Martha Medeiros)

Um útil alerta sobre as diversas maneiras que encontramos para perder tempo. Acredito que o momento exija um melhor aproveitamento desse precioso tempo que nos é oferecido de forma tão generosa e Martha Medeiros, vamos combinar, é ótima!!!

"Quanto tempo a gente perde na vida?

Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros.

Sim, depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, etc.

E aí, mais tarde,
demora pra entender certas coisas.

Demora, também, pra dar o braço a torcer.

Viramos adolescentes (aborrecentes) teimosos e dramáticos.

E levamos um século para aceitar o fim de uma relação. E outro século para abrir a guarda para um novo amor.

Quando, já adultos,
demoramos para dizer a alguém o que sentimos,
demoramos para perdoar um amigo,
e demoramos para tomar uma decisão.

Até que um dia a gente faz aniversário.
37 ou 41 anos. Talvez 50 e tal....
Uma idade qualquer
que esteja no meio do trajeto
E só aí a gente descobre que o nosso tempo não pode continuar sendo desperdiçado.

Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado, no segundo tempo, e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro. Ou fazer tabelas desnecessárias.
Quanto esbanjamento.

E esquecemos que não falta muito
pro jogo acabar...
Sim, é preciso encontrar logo
o caminho do gol.
Sem muita frescura,
sem muito desgaste,
sem muito discurso.
Pois tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto.

Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar.
E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.

Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando.
Não esperam sentadas,
não ficam dando voltas e voltas.
E não necessitam percorrer todos os estágios.

Queimam etapas.
Não desperdiçam mais nada.

Uma pessoa é sempre bruta com você?
Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito?
Beije-o primeiro e veja se ele, realmente, interessa e transmite algum sentimento.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.

Paciência só para o que importa de verdade.
Paciência para ver a tarde cair.
Paciência para degustar um cálice de vinho.
Paciência para a música e para os livros.
Paciência para escutar um amigo.
Paciência para aquilo que
vale nossa dedicação.

Pra enrolação, um atalho.
O maior possível!"