Aqui onde a vida dobra a esquina, a gente se fala... e se refugia do desinteressante...
Porque tudo é uma questão de opção. Assim podemos ser cidadãos do mundo, carregando sóis gelados e luas coloridas. Podemos ter olhos para o bem estar alheio e estocar imensos pacotes de riso fresco. Não se iludir... mas fantasiar. Ser um sim dos momentos vagos, um enorme talvez das possibilidades. Enxergar tudo que gostamos e "passar batido" pelo que não apreciamos. Ser de empréstimo, de "por acaso", eternos olás de distribuição gratuíta ou pequenos adeuses restritos... Ser um moinho de vento. Até quem sabe, e por que não, o último biscoito do pacote?

29 de mai de 2009

Judas, o estraçalhado!


Eu me recordo de que, na minha infância, havia o dia em que os católicos (eu sou católica) espancavam, enforcavam, amarravam num poste e depois ateavam fogo num grande boneco feito pelos moradores da rua, simbolizando Judas, o traidor, aquele que entregou Jesus para a cruxificação, que vendeu o filho de Deus por trinta moedas. Conta-se que Judas combinou com os guardas que iriam prender Jesus e que não o conheciam, que lhe daria um beijo na face, afim de que os guardas soubessem a quem prender (daí a expressão “beijo de Judas”).
Assim, cresci com esse costume tradicional do espancamento de Judas.
Porém – olha só que coisa interessante – quem tem cabeça pensa e quem tem amigos tem novos olhares.

Sempre me incomodou um detalhezinho nessa história toda: eu ouvia sempre que Jesus veio ao mundo para cumprir o que estava escrito. E estava escrito que Deus daria seu filho em sacrifício para o perdão dos pecados da humanidade. Isso me incomodava. Se já estava escrito, porque Judas traiu Jesus???
Quem tem amigos tem um coração maior, ora se tem...
Já adulta, numa conversa com meu dentista (oi querido amigo Amantéa) que acabou descambando para religião, olha só a resposta muito certa para essa minha dúvida antiga.
Fez-se, enfim, a luz. Não contesto as escrituras e creio firmemente que elas existiram. Alguém precisava vir, precisava trair, afim de que se cumprissem essas escrituras. Se Judas não traísse Jesus as escrituras não se cumpririam. Judas foi o escolhido por Deus, afim de que se cumprisse o que estava escrito!!! Bingo!!!
Que missão terrível carregou esse apóstolo Judas...
Mas, quem tem amigos acaba conhecendo a compaixão e aprendendo que a verdade às vezes se cala.
Li a história de Judas ("EU, JUDAS" de TAYLOR CALDWELL E JESS STEARN) e, veja só: Judas abandonou grande riqueza para seguir Jesus, nunca precisou de trinta moedas de prata. Foi o apóstolo que mais acreditou que Jesus era filho de Deus Pai.
Judas seguiu o Messias em suas peregrinações e o viu ser humilhado, repudiado. Viu que Jesus, em todos os reveses jamais deu o troco, limitando-se a oferecer a outra face...
Quem tem amigos conhece falhas e já experimentou o que seja confiança cega.
Judas, em seu amor por Jesus, não se conformava que o Mestre, quando ofendido, não chamasse os exércitos de Deus Pai afim de aniquilar a turba infiel.
Judas acreditou, ao trair Jesus (e veja-se que ele não teve escolha, já estava escrito, não é mesmo?), que o Salvador se livraria de tudo porque era o filho de Deus e, sendo assim, Deus enviaria seu exército de anjos para proteger seu filho amado e Jesus seria, enfim, aclamado o Rei da humanidade...
A oração do Credo nos conta que Jesus desceu à mansão dos mortos antes de subir aos céus e sentar-se à direita de seu Pai...
Quem tem amigos muitas vezes dispensa as palavras e os desfechos – você pode imaginar quem Jesus foi resgatar da mansão dos mortos para levar consigo à presença de seu Pai???
Assim, quem tem amigos aprende o valor de pedir desculpas. Quem tem amigos acaba por conhecer o doce alívio do perdão!!!
Psiu! Quem tem amigos aprende a olhar cada situação sob infinitos prismas.